2009 é o Ano da Psicoterapia no Sistema Conselhos de Psicologia (Conselho Federal e Regionais). O objetivo é produzir parâmetros mínimos para a atuação da categoria nessa área. Para tanto, em todo o País, serão realizados eventos propositivos que culminarão em um encontro nacional da categoria, previsto para o mês de outubro.
A Psicologia é uma das categorias profissionais que exerce a Psicoterapia, mas sabidamente não é a única. Pensar o que é a prática da Psicoterapia é situar critérios técnicos e éticos que abarquem a diversidade das Psicoterapias e dos grupos profissionais que as exercem.
Os Conselhos Regionais e o Federal de Psicologia legislam e fiscalizam os psicólogos. No entanto, a interlocução com as outras categorias profissionais, por meio de seus Conselhos, certamente amplia o debate. Já tivemos esta experiência com relação ao Ato Médico, quando 13 categorias profissionais dialogaram na busca do arquivamento do então PL 2505. Foi uma experiência inédita de nossa categoria em nível nacional quanto às possibilidades de respeitar as especificidades sem imposição de controle sobre as outras categorias profissionais.
A Psicoterapia não é uma prática que deva ficar restrita a uma ou duas categorias profissionais. A questão que se coloca não é o corporativismo do exercício da Psicoterapia, mas sim critérios de sua prática.
Quando falamos de critérios, os distinguimos de qualquer forma de regulamentação. Os critérios dizem respeito a um cuidado que requer formação (entendida como conhecimento teórico da prática utilizada), supervisão (em suas diversas modalidades), e a própria experiência da técnica. Este conjunto que chamamos formação é o que define a prática e a ética que embasa o trabalho clínico. É a responsabilidade de cada um com sua atividade e com seu paciente, cliente, usuário. Dessa maneira, as instituições formadoras são fundamentais no diálogo com o Conselho.
A proposta de descentralização deste debate é salutar, pois permite que várias instâncias envolvidas no campo da Psicoterapia possam se pronunciar. A competência do exercício da Psicoterapia tem uma dimensão, como já afirmamos, técnica e ética, e também política e de mercado de trabalho. Hoje a Psicoterapia se amplia para além da clínica privada, modelo que foi fundador. Ela conquista o espaço público e reconhecidamente outras formas de intervenção.
As práticas são diversas, como a intervenção de crise, o atendimento em planos de saúde, o trabalho multiprofissional, e a relação com a justiça, para citar os que estão em pauta de debate. O diálogo interdisciplinar se impõe para que claramente seja falado, mostrado e delimitado o que é nosso fazer como terapeuta. Ou seja: desde que lugar ocorre a escuta e a intervenção.
Portanto, as associações que congregam psicólogos e psicoterapeutas têm que se ocupar de, democraticamente, criar espaços para o diálogo entre os psicólogos e dos psicólogos com outras categorias profissionais que igualmente realizam o exercício da Psicoterapia. Esta é uma prerrogativa dos profissionais envolvidos e entre eles é que deve se travar o enfrentamento por uma prática competente.

